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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Mundos de Jogos Moldados Pelo Jogador

Se trata de um artigo que fiz para um evento científico, infelizmente recusado pelo mesmo.

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Mundos de Jogos moldados pelo Jogador- Análise de três títulos e algumas considerações

Nicolas Oliver

Universidade do Estado da Bahia, Dep. de Ciências Humanas Campus I, Brasil       




Resumo

Discorrendo sobre os títulos Hidden Agenda, Master of Orion e Liberal Crime Squad, o texto descreve possibilidades de imersão ativa e as possibilidades de criação de um mundo de jogo amplo e/ou bastante interativo, aonde o jogador possa moldar ativamente os rumos do mesmo com suas ações.

Palavras Chave: experiência, imersividade, mundos de jogo, desenvolvimento.

Contatos:

Introdução

Na sua experiência como jogador, o escritor desse artigo jogou ou leu sobre variados jogos que clamavam proporcionar ao jogador a capacidade de influenciar ativamente o mundo do jogo.

   Isso, obviamente, ocorre em variados mundos de RPG e nos jogos de simulação, mas não de forma muito ativa. Neles, o jogador assume algumas escolhas ou condutas específicas dentro do mundo do jogo, e o jogo então cria tantas outras situações específicas em reação às ações do jogador, simulando um funcionamento não linear através de técnicas lineares mais avançadas.




   Tal acontece até mesmo em RPGs de mesa; neles os Mestres de Jogo, por conveniência narrativa criam planos mais ou menos fechados de aventura que põem os jogadores para seguir quase independentemente de suas escolhas ou de acontecimentos radicais em relação ao plano. Isso ocorre tanto por influência dos jogos eletrônicos como das narrativas da mídia tradicional, que sempre utilizaram de todo tipo de técnicas de narrativa para tentar mante o status quo em certas questões do enredo, possibilitando introduzir quebras como inovações não esperadas, ao invés de situações naturais.


  Jogos com uma grande possibilidade interativa, no qual o jogador molda e é moldado pelo mundo interativo em redor fazem sucesso com um público específico, e variados aspectos interativos em outros jogos mais lineares enriquecem a experiência dentro dos mesmos, como visto em variados títulos recentes. A verdade, porém é que jogos com um componente de interatividade forte ou como fator principal da narrativa ou da arquitetura de jogo são algo antigo e a análise de alguns títulos pode trazer informações importantes sobre como desenvolver jogos com interatividade ativa nos dias atuais.

1. Hidden Agenda

 Um jogo-texto com imagens lançado em 1988. Nele o jogador é indicado presidente de Chimerica, país fictício da América Central, após a deposição do corrupto presidente Farsante (sic), antigo ditador do país.

  O jogador tem de administrar um governo provisório até ocorrerem às primeiras eleições democráticas, após três anos de jogo. Para isso pode escolher ministros dos três partidos que depuseram o ditador, cada um representando uma força política: Liberação Nacional, representando a esquerda populista, Reforma Cristã, o centro moderado, e Estabilidade Popular, a direita liberal. Cada partido possui três membros indicáveis, sendo que há quatro ministérios que o jogador precisa preencher, em ordem de importância: Agricultura, Defesa, Assuntos Internos e Assuntos Externos, tendo assim que dar algum poder a pelo menos dois partidos.



     As situações do jogo se desenrolam em forma de textos que simulam encontros do jogador com seus ministros e alguns habitantes do país, representando cada um os variados interesses políticos e sociais existentes no mesmo: o coronel do exército, o comandante das milícias populares, o camponês pequeno proprietário, o industrialista, o embaixador americano, o embaixador soviético e variados outros, quase todos eles tendo interesses diametralmente opostos a um ou mais dos outros habitantes. As respostas do jogador as questões, dadas com aconselhamento dos ministros, costumam favorecer a um ou outro grupo, mudando o destino do país: já no começo é possível declarar se está procurando uma política de desenvolvimento econômico, de igualdade social ou algum meio-termo entre ambos, e levar adiante ou não a punição dos violadores de direitos humanos do antigo regime.




     À medida que o jogo avança e o jogador vai contra as expectativas de uma ou das duas forças mais combativas (a esquerda e a direita), e o país passa por problemas econômicos e sociais causadas pelo fato de não ser possível investir em todas as coisas necessárias, insurreições motivadas por uma das duas forças aprofundam a situação do país, aumentando a chance de ocorrer um golpe no qual o jogador pode ser deposto, ou morto se optar resistir e não tiver apoio o suficiente. 



   Após algum tempo, eclode uma guerra civil que acaba matando ou afastando alguns dos personagens com os quais o jogador poderia interagir, culminando numa outra tentativa de golpe ou no afastamento do líder militar ligado a força derrotada. O resultado não raro é o fortalecimento da vencedora ás custas do posicionamento do próprio jogador. Ao final do jogo, no período de três anos, um pequeno texto descreve a situação do pais de acordo com as ações do jogador, com uma vitória ambígua na qual não se garante que a futura estabilidade do país esteja assegurada.



   Sendo basicamente um jogo-texto com alguns caminhos programados, é bastante óbvio que Hidden Agenda é na prática um jogo linear. Boa parte das tentativas iniciais acabam com o jogador sendo deposto após pouco tempo de jogo, e os caminhos que levam a poder de fato finalizar o jogo com uma vitória (não ser deposto até os três anos passarem e conseguir realizar as eleições) são na prática também lineares, especialmente quando o jogador ‘’ pega a manha’’ dos mesmos.

   Ainda assim, é um jogo inovador por antecipar recursos como a árvore de diálogo e de decisões, por simular um ambiente interativo com personagens que reagem a ações passadas do jogador, e também aonde o jogador, independentemente da força de sua posição, tem que saber pesar as consequências indiretas de suas decisões, que podem levar a situações sem retorno no futuro. Dessa forma, Hidden Agenda consegue criar uma sensação de realismo que mesmo jogos de simulação posteriores deixaram de lado ou não conseguiram realizar com a mesma imersividade.

2. Master of Orion

   Master of Orion é um simulador de conquista espacial, um dos primeiros jogos no gênero ‘’4X’’ (‘’ eXplore, eXpand, eXploit, and eXterminate’’) criados, atualmente na sua terceira sequência. Destaca-se pela capacidade de gerar um enredo que varia a cada jogada, de acordo com algumas variáveis definidas pelo jogador.

   É possível escolher uma entre as 10 raças existentes, cada uma com suas características específicas, e então definir aspectos da galáxia onde o jogo ocorre: tamanho, número de outras raças presentes, e algumas outras características secundárias. A partir daí a galáxia, com seus sistemas de planetas e a localização dos impérios de cada raça, é gerada pelo jogo a partir de alguns fatores, havendo sempre no centro dessa galáxia um sistema especial, Orion, com itens e bônus especiais guardado por uma super-nave androide hostil a todos os jogadores. Há também um Senado galáctico aonde todas as raças tem um peso de votos equivalente ao tamanho de suas populações, e onde o jogador pode ser ou acabar vendo um rival ser eleito chefe supremo da galáxia, uma das maneiras de alcançar vitória. 

   Devido aos aspectos detalhados de micro gerenciamento, alguns eventos aleatórios, uma construção cuidadosa das raças, e da grande influência dos aspectos da diplomacia, espionagem e pesquisa, além da guerra em si, cada sessão de Master of Orion é única e à medida que as interações entre os jogadores aumentam, se tornam também mais complexas, apesar da grande simplicidade de controle do jogo. O jogador pode definir os variados aspectos de seu império apenas deslocando algumas barras em variados fatores produtivos de seus planetas e centros de pesquisa. As sequências introduziram inovações como permitir a criação de raças editadas pelo jogador, variados sistemas de governo, a possibilidade de criar impérios multirraciais, além de um Senado Galáctico mais complexo.

     Master of Orion, e títulos semelhantes ou influenciados por ele, inovaram por criar um mundo de jogo complexo a partir de algumas variáveis simples, e por demonstrar que um mundo de jogo complexo e multifacetado não precisa necessariamente ter jogabilidade complicada e enredo rebuscado ou pouco factível. 


4. Liberal Crime Squad


     Liberal Crime Squad é um ‘’ roguelike’’, ou seja, faz parte de um gênero que tira inspiração de um antigo jogo chamado ‘’ Rogue’’, um RPG eletrônico de 1980. Nesse tipo de jogo, após o jogador criar seu personagem, é gerada aleatoriamente uma masmorra a ser explorada pelo jogador, em busca de um item lendário.
        
    Dentro dessa masmorra, pouco era então garantido, visto que até os itens e suas características estão sujeitos a geração aleatória, podendo surgir desde armas poderosas que podem salvar o jogador da morte certa num lugar aonde apareceram sem aviso inimigos de alto nível, até poções que lhe podem causar dano, fazer equipamentos desaparecerem ou transformá-lo num animal indefeso incapaz de usar itens e magias, ou sequer se mover habilmente.  Variados jogos seguindo aspectos dessa fórmula, tanto comerciais como amadores, foram surgindo com o tempo, adicionando até mesmo a possibilidade de construção de reinos fantásticos dentro das masmorras geradas, como no recente Dwarf Fortress, que chega a permitir a simulação de mundos inteiros através de eras no tempo, com o jogador podendo decidir participar de uma época específica, tanto construindo um império, como realizando aventuras separadas com heróis surgidos nesse império. 



    Liberal Crime Squad, registrado como freeware em 2002, por um dos desenvolvedores de Dwarf Fortress, passa-se num ambiente moderno, adicionando uma realidade política ao ambiente que o jogador precisa enfrentar. Nele, o jogador, pertencendo a uma caricatura de organização de esquerda americana (liberal nos EUA= de esquerda no Brasil ou Europa), da qual o líder, fundador e único membro inicial é ele mesmo, tem de derrotar os conservadores que estão no poder para possibilitar que uma sociedade liberal, regida por leis liberais, possa ser criada.



  A cada rodada, o jogo gera uma sociedade fictícia, com ambientes variados que o jogador pode visitar, aonde ele pode recrutar pessoas para a causa liberal e se engajar em variadas ações políticas, ou pura e simplesmente praticar variados crimes e atacar conservadores para causar dano. O jogo inova por trazer consequências ‘’ reais’’ aos danos causados, havendo além de uma reação pública e governamental crescente, com forças policiais cada vez mais bem armadas e os cidadãos se tornando cada vez mais hostis, um sistema legal que pune o jogador e os membros de sua organização pegos cometendo crimes, tendo o jogador que esperar sua libertação ou invadir a cadeia para soltá-los.



    A depender da eficácia das ações do jogador e de sua organização, políticos liberais irão sendo eleitos para o Governo e passando leis liberais, modificando a realidade do mundo de jogo de maneiras que em geral são benéficas às ações do grupo do jogador, que assim pode aumentar ainda mais sua influência. Porém, a existência de um grupo conservador rival, e de uma sociedade majoritariamente conservadora ou neutra sempre pronta a reagir contra o jogador de variadas maneiras faz isso levar certo tempo para acontecer, exigindo do jogador bastante paciência e uma atitude inicial defensiva, além de esperteza para infiltrar agentes e pessoas convertidas nos variados locais da sociedade, para conseguir benefícios indiretos e modificá-la aos poucos, sem atrair reação imediata.



   Outro aspecto bastante realista é que o jogador começa tendo que ele próprio visitar os locais e realizar as ações mais importantes, mas à medida que o grupo cresce e passam a haver militantes para realizar as funções básicas e depois algumas especializadas, o personagem inicial passa quase apenas ao gerenciamento e a realizar algumas ações de alto nível, como coordenar o roubo de documentos comprometedores para publicar os mesmos numa rede de mídia alternativa, para comprometer executivos e altos funcionários conservadores. Devido a esses e outros aspectos, Liberal Crime Squad cria uma caricatura convincente de uma situação no mundo real, por permitir o jogador operar, agir e ter de sobreviver num mundo de jogo plausível, mesmo que deliberadamente exagerado.

5. Conclusão

   O sucesso de variados títulos de jogos eletrônicos nos anos 80 e 90, se deveu ao fato de nos mesmos os jogadores terem alguma capacidade de influenciar semi-realisticamente a dinâmica do enredo, num mundo com facções e grupos simulados de forma convincente.


  A influência desses jogos em títulos mais atuais que alcançaram grande fama/e ou vendagem é bastante extensa para caber citá-los nesse breve artigo, porém é demonstrativa de que é possível roteirizar e programar jogos com enredos imersivos sem muito mais custo ou trabalho em relação a realizar jogos com enredos mais lineares, se houver um planejamento anterior para que isso aconteça. A existência de títulos como os citados nesse artigo, mostra que com uma boa distribuição de tarefas e pensamento multidisciplinar, é possível a uma equipe dedicada realizar jogos com elementos multifacetados e reativos as ações do jogador, inclusive em jogos amadores ou profissionais de baixo orçamento realizados com vista a modos de distribuição alternativos, ou para portfólio e demonstração profissional de seus desenvolvedores.

Agradecimentos

    Gostaria de agradecer aos criadores dos primeiros videogames, Doutores William Higinbotham, Josef Kates, e Thomas T. Goldsmith, Jr, que possibilitaram a indústria que existe atualmente.

Referências 

http://tvtropes.org/pmwiki/pmwiki.php/Main/LiberalCrimeSquad, acessado em 16/07/2013

http://www.abandonia.com/en/games/101/Master%20of%20Orion.html, acessado em 16/07/2013

http://en.wikipedia.org/wiki/Dwarf_Fortress, acessado em 16/07/2013

http://www.abandonia.com/en/games/101/Master+of+Orion.html, acessado em 16/07/2013

http://www.abandonia.com/en/games/138/Hidden+Agenda.html, acessado em 16/07/2013

http://en.wikipedia.org/wiki/Roguelike, acessado em 16/07/2013

Adendo Final


 As razões para a recusa do texto foram as seguintes: 

''Prezado Autor,
Informamos que seu trabalho não foi aprovado para ser apresentado e publicado no nosso evento.
Razões: 
O autor inicia o artigo com uma serie de conceitos amplos e vagos:
- imersão ativa?
- quanto é amplo ou bastante interativo? como mede?
- moldar ativamente?
- (mais à frente) quais são as tais técnicas lineares mais avançadas?
Logo depois ele se adianta nas conclusões:
- porque "obviamente"? porque jogos de tiro ou aventura estariam fora desse escopo?
Também demonstra pouco conhecimento de game design, ou um deslize metodológico:
- o jogo cria ou o game designer deixa preparado?
A parte:
"narrativas da mídia tradicional, que sempre utilizaram de todo tipo de técnicas de narrativa para tentar mante o status quo em certas questões do enredo, possibilitando introduzir quebras como inovações não esperadas, ao invés de situações naturais." traz um argumento muito forte, e por isso precisa de citações e demonstrações dessa tese; lembro de contra argumentos em várias áreas, apenas para citar o cinema: no filme Cidadão Kane, de Welles, no qual as rupturas são muito presentes, e os mais contemporâneos as obras de Godfrey Reggio, David Lynch e Peter Greenway.
O sic! deve vir sempre acompanhando uma citação direta, para fazer o seu sentido de "foi escrito assim mesmo".
As outras seções são descrições dos jogos, e falham em apontar a sua função no texto, como demonstrar as hipóteses ou colaborar para que os objetivos sejam alcançados. Artigos científicos deve ser objetivos, ou seja, tudo que é dito neles deve contribuir para os objetivos os quais ele trata.
 Na conclusão voltam as hipóteses anteriores, e abrem-se novas, em vez de concluir atestando como os objetivos foram alcançados. Deste modo, não se trata de uma conclusão, nem sequer de um fechamento.
 O artigo não apresenta fontes cientificas de informação, apenas sites de documentação. 
Nenhuma das referências aparece durante o texto, sendo assim uma mera colagem sem sinal de que foram utilizadas. Não se trata de um artigo cientifico, e sim um artigo de opinião voltado para um site ou revista e não para um evento cientifico
 Recomendo ao autor que ele leia artigos de congressos científicos para ver como eles são feitos.
De resto: 
O artigo não respeitou as regras de quantidade mínimas de páginas como diz as normas de submissão de artigos do evento.
Com relação as normas: não faz a formatação correta das referencias e nem traz autores para referenciar cientificamente o trabalho.''

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Tradução- Making an Argument- por J.H Gardiner.

O original, formatado para propósitos  de leitura, segue acima, em itálico. As traduções vão logo abaixo, em letras normais. Boa leitura!
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''J.H. GARDINER
THE MAKING OF ARGUMENTS
CHAPTER I
WHAT WE ARGUE ABOUT, AND WHY

1. What Argument is. When we argue we write or speak with an active purpose of making other people take our view of a case; that is the only essential difference between argument and other modes of writing. Between exposition and argument there is no certain line. In Professor Lamont's excellent little book, "Specimens of Exposition," there are two examples which might be used in this book as examples of argument; in one of them, Huxley's essay on "The Physical Basis of Life," Huxley himself toward the end uses the words, "as I have endeavored to prove to you"; and Matthew Arnold's essay on "Wordsworth" is an elaborate effort to prove that Wordsworth is the greatest English poet after Shakespeare and Milton.''

O FAZIMENTO* DA ARGUMENTAÇÃO
CAPÍTULO I
PELO QUE DEBATEMOS, SOBRE E PORQUE

 1. O que é a argumentação. Quando debatemos nós escrevemos ou falamos com o propósito ativo de fazer
outras pessoas tomarem nossa visão de um caso; essa é a única diferença essencial entre argumentação e outro modo de escrita. Entre exposição e argumento não há uma linha definida. No excelente pequeno livro do professor Lamont, ''Espécimes em Exposição'', há dois exemplos que poderiam ser usados nesta obra como exemplos de argumentação: num deles, o ensaio de Huxley sobre a ''Base Física da Vida'', o próprio Huxley próximo ao fim usa as palavras, ''como eu tenho me esforçado para lhe provar'', e no ensaio de Matthew Arnold sobre Wordsworth, há um elaborado esforço para provar que Wordsworth é o maior poeta inglês após Shakespeare e Milton.
-*Traduzi ''Making'' por ''Fazimento'', nessa parte, por achar que soaria melhor para o sentido de criação ativa e contínua do que a palavra ''Criação'', que soa como algo mais definitivo e acabado.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------''Or, to take quite different examples, in any question of law where judges of the court disagree, as in the Income Tax Case, or in the Insular cases which decided the status of Porto Rico and the Philippines, both the majority opinion and the dissenting opinions of the judges are argumentative in form; though the majority opinion, at any rate, is in theory an exposition of the law.

Ou, para tomar exemplos bem diferentes, em qualquer questão legal na qual os juízes da corte discordem, como no caso do Imposto de Renda, ou nos casos insulares que decidiram o status de Porto Rico e das Filipinas, tanto a opinião da maioria como as opiniões discordantes dos juízes são argumentativas em forma; apesar da opinião da maioria, de qualquer maneira, ser em teoria uma exposição da lei.
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The real difference between argument and exposition lies in the difference of attitude toward the subject in hand: when we are explaining we tacitly assume that there is only one view to be taken of the subject; when we argue we recognize that other people look on it differently. And the differences in form are only those which are necessary to throw the critical points of an argument into high relief and to warm the feelings of the readers.''

 A verdadeira diferença entre argumentação e exposição se encontra na diferença entre a atitude em relação ao assunto em mãos: quando estamos explicando nós tacitamente assumimos na diferença de atitude em relação ao assunto; quando debatemos nós reconhecemos que outras pessoas o veem diferentemente. E as diferenças de forma são apenas aquelas necessárias para pôr pontos críticos de um argumento em alto relevo e aquecer os sentimentos dos leitores.
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''2. Conviction and Persuasion. This active purpose of making other people take your view of the case in hand, then, is the distinguishingessence of argument. To accomplish this purpose you have two tools orweapons, or perhaps one should say two sides to the same weapon, conviction and persuasion. In an argument you aim in the first place to make clear to your audience that your view of the case is the truer or sounder, or your proposal the more expedient; and in most arguments you aim also so to touch the practical or moral feelings of your readers as to make themmore or less warm partisans of your view.''

2. Convencimento e Persuasão. O propósito ativo de fazer outras pessoas tomarem seu ponto de vista no caso em questão, então, é essência distintiva da argumentação. Para atingir esse propósito você possui duas ferramentas ou armas, ou talvez possa-se dizer dois lados da mesma arma, convencimento e persuasão. Numa argumentação você busca em primeiro lugar tornar claro para sua audiência que seu ponto de vista do caso é mais verdadeiro ou sólido, o que sua proposta é mais expediente; e na maioria dos argumentos você busca também tocar os sentimentos práticos ou morais de seus leitores para torná-lo partidários mais ou menos ardentes de seu ponto de vista.
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''If you are trying to make some one see that the shape of the hills in New Englandis due to glacial action, you never think of his feelings; here any attempt at persuading him, as distinguished from convincing him, would be an impertinence. On the other hand, it would be a waste of breath to convince a man that the rascals ought to be turned out, if he will noton election day take the trouble to go out and vote; unless you have effectively stirred his feelings as well as convinced his reason youhave gained nothing. In the latter case your argument would be almost wholly a matter of convincing.''

Se você está tentando fazer alguém perceber que o formato das colinas da Nova Inglaterra se deve a ação glacial, você jamais pensa sobre seus sentimentos; aqui não há qualquer tentativa de persuadi-lo, e isso seria uma impertinência. Por outro lado, seria um desperdício de palavras convencer um homem que os safados deveriam ser removidos do poder, se ele não se importaria de sair para votar no dia da eleição*; a menos que você tenha efetivamente agitado seus sentimentos assim como convencido sua razão você não ganhou nada. No último caso a argumentação se trata quase que totalmente de uma questão de convencimento.

-* No contexto dos Estados Unidos, cabe não esquecer que as eleições são um evento de participação não obrigatória, com um absenteísmo eleitoral relativamente alto.
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''These two sides of argument correspond to two great faculties of the human mind, thought and feeling, and to the two ways in which, under the guidance of thought and feeling, mankind reacts to experience. As we pass through life our actions and our interest in the people and things we meet are fixed in the first place by the spontaneous movements of feeling, and in the second place, and constantly more so as we growolder, by our reasoning powers. ''

Esses dois lados da argumentação correspondem a duas grandes faculdades da mente humana, pensamento e sentimento, e as duas maneiras pelas quais, sob orientação do pensamento e do sentimento, a humanidade reage as experiências. Enquanto passamos pela vida nossas ações e nosso interesse nas pessoas e nas coisas que encontramos são em primeiro lugar fixados pelos movimentos espontâneos do sentimento, e em segundo lugar, pelos nossos poderes de raciocínio.
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''Even the most intentionally dry of philosophers has his prejudices, perhaps against competitive sports oragainst efficiency as a chief test of good citizenship; and after childhood the most wayward of artists has some general principles to guide him along his primrose path. The actions of all men are the resultant of these two forces of feeling and reason. Since in most cases where we are arguing we have an eye to influencing action, we must keep both the forces in mind as possible means to our end.''

Mesmo o mais intencionalmente seco dos filósofos tem seus preconceitos, talvez contra esportes de competição ou contra a eficiência como o fator principal de boa cidadania; e depois da infância mesmo o mais caprichoso dos artistas passa a possuir alguns princípios gerais para guiá-lo através de seu caminho nas prímulas*. As ações de todos os homens são resultantes dessas duas forças de sentimento e razão. Desde que na maioria dos casos quando estamos debatendo nós temos um olho na ação influenciadora, nós temos de manter as duas forças em mente como possíveis meios para nosso fim.

-*: primrose path: termo da língua inglesa que poderia ser traduzido como ''caminho nas flores'', modo de vida despreocupado mas com perigos no final; equivalente ao termo de inspiração bíblica 
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'' 3. Argument neither Contentiousness nor Dispute. Argument is not contentiousness, nor is it the good-natured and sociable disputation inwhich we occupy a good deal of time with our friends. The difference is that in neither contentiousness nor in kindly dispute do we expect, or intend, to get anywhere. There are many political speeches whose only object is to make things uncomfortable for the other side, and some speeches in college or school debates intended merely to trip up the other side; and neither type helps to clear up the subjects it deals with. ''

3. A Argumentação não é Contenciosidade nem Disputa. A argumentação não é contenciosidade, nem é uma amável e sociável disputa com a qual ocupamos uma boa quantidade de tempo com nossos amigos. A diferença é que nem na contenciosidade nem na disputa amigável nós esperamos, ou desejamos, chegar em lugar algum. Há muitos discursos políticos cujo único fim é tornar as coisas inconfortáveis para o outro lado, e alguns debates na faculdade e na escola realizados apenas com o propósito de *embaraçar o outro lado; e nenhum deles ajuda a esclarecer os assuntos com os quais lidam.
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'' On the other hand, we spend many a pleasant evening arguing whether science is more important in education than literature, or whether it is better to spend the summer at the seashore or in the mountains, or similar subjects, where we know that everybody will stand at the end just where he stood at the beginning. Here our real purpose is not to change any one's views so much as it is to exchange thoughts and likings with some one we know and care for. The purpose of argument, as we shall understand the word here, is to convince or persuade some one.''

Por outro lado, nós passamos muitas noites prazerosas debatendo sobre se a ciência é mais importante na educação que a literatura, ou se é melhor passar o verão a beira-mar ou nas montanhas, ou assuntos semelhantes, aonde sabemos que todos vão ser no final pelas mesmas coisas que eram no começo. Aqui nosso real propósito não é modificar o ponto de vista de alguém mais do que trocar pensamentos e opiniões com alguém que conhecemos e nos importamos. O propósito da argumentação, como passaremos a entender o termo aqui, é o de convencer ou persuadir alguma pessoa.
-*: As tradições diretas que encontrei mencionavam ''tropeçar'', ou ''fazer tropeçar.''
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Links utilizados:

http://www.gutenberg.org/ebooks/13089
http://www.wordreference.com/enpt/trip%20up
http://tradutor.babylon.com/ingles/ingles/trip%20up/
http://en.wikipedia.org/wiki/Voter_turnout
http://atragediadehamlet.blogspot.com.br/2011/03/ato-i-cena-3.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Primrose_path
http://www.straightdope.com/columns/read/1948/whats-the-origin-of-primrose-path

sábado, 5 de maio de 2012

Metade do Meio Termo


Metade de meio termo

Paciência é a ciência que eu não consigo entender
Esperar não faz parte do meu vocabulário,
não conseguiu perceber?

Ir com calma não consta no meu velocímetro
nele só existe oito ou oitenta
na minha cabeça,
só tem chance quem tenta...

Controle, só do video game,
nem tv eu uso mais,
Não espero acontecer
quem tem é quem faz

Não existe o ponto X pra mim
aperto A, B ou o Z logo no fim

Me perdi procurando o meio termo.




Por Tati Pimet, do Cala a BOCA Tati!

Democracia do Século XXI



  Uma nova ordem social,mas respeitosa com o cidadão,será construída com o novo século.Ela ultrapassará os limites da democracia delegativa e partidária que vigora atualmente,com o fortalecimento da sociedade civil que se dará com a ampliação das comunicações e da força dos espaços de diálogo.

  Essa Nova Democracia surge com a ascensão,no cenário internacional,de atores como o BRIC,a União Européia,e os variados blocos regionais,que crescendo em relativo equilibrio,tenderão a não dar espaço á divisão do mundo em centros de poder antagônicos,mas sim a uma comunidade global policêntrica.Esse ambiente será menos favorável ao centralismo,tanto em suas versões mais suaves(bipartidarismo,hegemonia partidária,consenso palaciano)como mais escancaradas(unipartidarismo e personalismo).

  Isso porque,na situação mundial que emerge,e com as novas tecnologias,torna-se cada vez mais acessível para grupos maiores de pessoas,decisões que eram necessárias ser tomadas por poucas.Isso deixa espaço para que se recupere o modelo de gestão da Antiguidade,aonde se votava diretamente,se deixando ao cidadãos decidirem por si as questões concernentes sobre os locais onde moravam,sobrando aos representantes apenas a tarefa de zelar para que as decisões fossem levadas a cabo,ou que não se chocassem com os artigos básicos da Lei.

  No futuro,talvez só haja nas sociedades dois poderes:o Popular(ou Civil)e o Representativo(ou Magisterial) destinados a suplantar progressivamente,o Executivo,o Legislativo e o Judiciário, que atualmente vigoram na maioria dos países.

domingo, 22 de abril de 2012

Respeito a Diversidade




ORIGINAL


Respeito a diversidade?

Muito se fala sobre o respeito as diferenças, mas pouco se sabe da correspondência desse discurso com a realidade. São promovidas ações para se promover e propagandear que o respeito existe e está sendo ampliado, mas não o verdadeiramente quanto.

Isso porque, mesmo que haja ações afirmativas em funcionamento, não se discute o quanto elas são afirmativas, mesmo quando elas funcionam a contento. Muitas delas, como a inclusão dos Estudos Africanos na grade escolar, por exemplo, foram legisladas mas não aplicadas.

Situações como essa fazem ver que ha uma tentativa de mostrar que a respeito, mas na prática isso não acontece como devia. Acontecem tentativas semi-precárias de integração, que não geram tão grandes efeitos, mesmo quando funcionam como planejado.

O chamado empoderamento, por exemplo, no que tange a dar cargos políticos a membros de grupos excluídos, muitas vezes ao invés de aumentar a participação desses grupos, tornam os membros favorecidos parte de outra classe, separada de suas raízes originais.

O verdadeiro respeito surgira, talvez, quando além de ações paliativas e de integração enviesada, houver uma genuína educação nesse sentido, o que não acontece atualmente, pois a tendência da sociedade de hoje, é mais a de separar as pessoas, ao invés de unir.

Aí sim, pode ser que se possa falar de que há respeito de verdade.



CORRIGIDA


Respeito a diversidade?

Fala-se bastante sobre o respeito as diferenças, mas pouco da correspondência entre discurso e realidade. São promovidas ações para propagandear que o respeito existe e está sendo ampliado, mas não quanto.

Mesmo com variadas ações afirmativas funcionando, não se discute o quanto elas são afirmativas, mesmo quando funcionam a contento. Muitas delas, como a inclusão dos Estudos Africanos na grade escolar, por exemplo, foram legisladas mas não aplicadas.

Tais situações levam a inferir que ha uma tentativa de mostrar que ha respeito, mas na prática isso não acontece como devia. Acontecem tentativas semi-precárias de integração, que não geram tão grandes efeitos, mesmo quando bem planejadas.

O chamado empoderamento, por exemplo, no que tange a dar cargos políticos a membros de grupos excluídos, tende ao invés de aumentar a participação desses grupos, a tornar os membros favorecidos parte de outra classe, separada de suas raízes originais.

O verdadeiro respeito surgira, talvez, quando além de ações paliativas e de integração enviesada, houver uma genuína educação nesse sentido, o que não acontece atualmente, pois a sociedade se encontra num processo de segmentação maior que o de homogeneização.

Aí sim, poderá se falar que há respeito de verdade.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Caetano






















Vamos ouvir Caetano até a banda passar
Com rebolados da bunda da preta gozadora 
Que não se cala e canta a música ao ver Tieta,
E canta intimando um grito ao pé da cama 
Embaraçando nas pétalas de uma Santa-Rosa
Trazendo bençãos de mãe menininha da Bahia.

Trouxeram suas bençãos dentro do coração
Quando a lua de Jorge fazia boa companhia 
a danada da preta que não se cala e continua
cantando no desejo de ter o pranto de Tieta
Na sua cama, enroscando seus cabelos na
sua mão gozando na pura poesia de ser mulher.

Se ela não te fizer mulher, preta,
O axé há de fazer
Se ela não te quiser enquanto mulher,
Seus dedos há de querer,
Se ela não te chupar,
Sua saliva há de chupar seu fruto
Se ela não te amar,
Não há de perder a fé.


O poeta não sabe quem é a Bahia,
Sem o som de Caetano, 
O poeta não sabe quais são 
Os direitos humanos [...]

[...] Na verdade, o poeta só sabe quem escreve as suas próprias poesias. 





Via do Pensamento, ás Palavras, de Tiago Correia.

domingo, 15 de abril de 2012

Se houver lágrimas


Se houver lágrimas, chore!
Caso tenhas acasos entre
tu e elas,
ainda assim, chore!


Se faltar-te o pranto, chore... 
Só não chore se não fores vivo,
Na alegria, na paz, na angústia, 
na solidão, chore...


Se houver amor,
Chore com lágrimas da paixão,
Derrame sobre-as a intensidade
que a vida lhe dar,


Seja pouco fixo, 
Eternize-se na efemeridade da vida, 
Viva os instantes utópicos...
Ao adormecer final, seja vivo!!!


via Do Pensamento ás Palavras, de Tiago Correia.